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	<title>Divulgação científica &#8211; BIOTA Síntese</title>
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	<link>https://biotasintese.iea.usp.br</link>
	<description>Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Oct 2026 13:22:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
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		<title>Pesquisa identifica árvores da Mata Atlântica que estão sob estresse da poluição do ar</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/pesquisa-identifica-arvores-da-mata-atlantica-que-estao-sob-estresse-da-poluicao-do-ar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Maria Soares Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 12:31:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
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					<description><![CDATA[O estudo propõe um novo olhar sobre a poluição do ar causada por ações humanas sob a perspectiva das plantas; o intuito da pesquisa foi encontrar árvores resilientes à poluição atmosférica com potencial para o reflorestamento urbano O trânsito intenso de veículos e as emissões industriais são as principais fontes de contaminação atmosférica. Esse contexto, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O estudo propõe um novo olhar sobre a poluição do ar causada por ações humanas sob a perspectiva das plantas; o intuito da pesquisa foi encontrar árvores resilientes à poluição atmosférica com potencial para o reflorestamento urbano</em></p>
<p>O trânsito intenso de veículos e as emissões industriais são as principais fontes de contaminação atmosférica. Esse contexto, tão comum no cotidiano de milhões de pessoas que vivem em centros urbanos, afeta diretamente a saúde e o bem-estar humano. Além das pessoas, essa poluição impacta também as plantas, que são importantes bioindicadores de contaminação ambiental. Para compreender este cenário, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) de São Paulo, sob coordenação da ecóloga <a href="http://lattes.cnpq.br/2579096687632978">Marisa Domingos</a>, que integra o Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza &#8211; <a href="https://biotasintese.iea.usp.br/pt/">BIOTA Síntese</a>, avaliou a tolerância de diferentes espécies vegetais à poluição atmosférica. </p>
<blockquote><p>“O fato desses organismos responderem de maneira integrada ao estresse ambiental permite avaliar não apenas o acúmulo de um determinado poluente, mas também como a planta responde ao conjunto de condições ambientais às quais está exposta. Além disso, o biomonitoramento pode representar uma alternativa mais acessível em relação aos métodos de monitoramento físico-químico tradicionalmente utilizados pelas agências ambientais”, explica <a href="http://lattes.cnpq.br/3179767729119504">Ricardo Nakazato</a>, doutor em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente pelo IPA e professor da Universidade Guarulhos (UNG).</p></blockquote>
<p>O estudo desenvolvido pelos pesquisadores mediu a capacidade de aproximadamente 350 árvores da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo (RBCV-SP) de acumular elementos tóxicos. A pesquisa faz parte do Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP) do IPA, intitulado “Desafios para conservação da biodiversidade frente a mudanças climáticas, poluição e uso e ocupação do solo”, e financiado pela FAPESP (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/109281/biota-sintese-nucleo-de-analise-e-sintese-de-solucoes-baseadas-na-natureza/?q=2020/06694-8">2020/06694-8</a>, <a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/185795/relacao-entre-a-tolerancia-de-especies-nativas-da-floresta-atlantica-e-a-contaminacao-por-metais-pes/?q=2018/20557-3">2018/20557-3</a>, <a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/100779/desafios-para-conservacao-da-biodiversidade-frente-as-mudancas-climaticas-poluicao-e-uso-e-ocupacao-/?q=2017/50341-0">2017/50341-0</a>). </p>
<p>“Esse grande projeto foi essencial para nossa instituição, pois proporcionou a melhoria da infraestrutura de pesquisa, visando a aprimorar pesquisas sobre os efeitos das mudanças climáticas, poluição e crescente uso e ocupação do solo sobre ecossistemas terrestres e aquáticos. Permitiu, também, formar cientistas altamente capacitados a desenvolver pesquisas inovadoras sobre o tema”, explica Marisa Domingos. </p>
<p>A RBCV-SP é considerada um hotspot ecológico global, ou seja, é uma reserva com rica biodiversidade e espécies endêmicas, mas, ao mesmo tempo, é um local altamente ameaçado pelas ações humanas. O Cinturão foi declarado uma Reserva da Biosfera pela UNESCO em 9 de junho de 1994 e reconhecido por sua capacidade de integrar a preservação dos ecossistemas urbanos e da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas.</p>
<figure id="attachment_1763" aria-describedby="caption-attachment-1763" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0001-m-1-1024x574.jpg" alt="" width="1024" height="574" class="size-large wp-image-1763" srcset="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0001-m-1-1024x574.jpg 1024w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0001-m-1-768x430.jpg 768w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0001-m-1-640x358.jpg 640w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0001-m-1-400x224.jpg 400w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-1763" class="wp-caption-text">Mapa detalhado de São Paulo com a RBCV. Em destaque estão a Zona Núcleo, a Zona de Amortecimento, a Zona de Transição e a Área Urbana da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde (RBCV). Locais de amostragem: FLONA e MORRO (periurbanos) e VOLPI e PEFI (urbanos). Sistema de coordenadas: WGS84 (EPSG: 4326). Figura: reprodução do artigo.</figcaption></figure>
<p>Ao todo, o local abrange 78 municípios do estado e é responsável por  aproximadamente 20% do PIB nacional, além de agregar cerca de 24 milhões de pessoas – quase 10% da população brasileira. A área engloba distritos urbanos, parques, reservas e áreas protegidas que contêm fragmentos de Mata Atlântica e do Cerrado, com complexos mosaicos de uso da terra — como indústrias, urbanização intensa, diversos tipos de agricultura e remanescentes florestais.</p>
<p>Por essa combinação entre intensa pressão humana e alto valor de conservação, a RBCV-SP foi escolhida como local de estudo. Por meio das análises realizadas pela pesquisa, foi possível identificar parte das espécies da região que estão em risco devido à contaminação do ar e aquelas espécies que são mais resilientes a essa poluição. O intuito dos pesquisadores foi encontrar espécies resistentes à contaminação atmosférica para serem utilizadas na restauração e reflorestamento urbano.</p>
<p><strong>Trajetória do estudo</strong></p>
<p>Ricardo Nakazato conta que o “grupo de pesquisa coordenado pela Dra. Marisa Domingos tem um histórico consolidado de estudos voltados à compreensão dos impactos da poluição do ar sobre a vegetação. Essas pesquisas vêm sendo desenvolvidas desde a década de 1980, com projetos pioneiros em Cubatão”. O pesquisador relata que essas investigações “tiveram continuidade ao longo dos anos com estudos voltados à identificação de espécies bioindicadoras atmosféricas e à compreensão da ecofisiologia vegetal, especialmente dos mecanismos de estresse oxidativo provocados pelos poluentes”. Marisa acrescenta que esses estudos também “mostraram que o nível de tolerância ao estresse oxidativo induzido por distúrbios ambientais varia consideravelmente entre as espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica”, explica a coordenadora da pesquisa.</p>
<p>Segundo Ricardo, foi por meio dessas pesquisas que foi possível observar que as plantas acumulavam metais provenientes das emissões industriais. “Assim, em seguida, buscamos compreender como esses metais pesados se acumulavam no solo, na serapilheira e nas folhas de espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica. Entretanto, com o avanço das nossas pesquisas, percebi que estávamos nos aprofundando cada vez mais em metodologias complexas e gerando dados de interpretação muito complexos. São variáveis relativamente fáceis de discutir entre químicos, fisiologistas, bioquímicos e biólogos em geral, mas que podem ser muito difíceis de serem explicadas para tomadores de decisão e gestores de políticas públicas”, pontua Ricardo.</p>
<blockquote><p>Partindo dessa preocupação, o pesquisador explica que, após tantos anos de estudos, foi natural o grupo buscar “compreender como esse conhecimento poderia ser aplicado em projetos de restauração e arborização urbana, uma vez que já havia sido constatado que diferentes espécies respondem de maneiras distintas aos impactos causados pela poluição do ar e, possivelmente, também pelas mudanças climáticas”.</p></blockquote>
<p>A partir dessa trajetória, os pesquisadores se dedicaram a compreender a relação entre a poluição do ar e as espécies nativas da Mata Atlântica, com foco nas árvores mais comuns em áreas florestais urbanas. “Eu queria também compreender se as espécies mais tolerantes apresentam mecanismos simples de serem avaliados e qual é a relação entre essa tolerância e a capacidade de acumular metais em suas folhas”. Para a análise das amostras foi utilizado o Índice de Tolerância à Poluição do Ar (APTI, do inglês Air Pollution Tolerance Index), que avalia a resistência da vegetação à poluição atmosférica com base em quatro características das folhas: o teor de ácido ascórbico, a clorofila total, o pH do extrato foliar e o teor relativo de água.</p>
<p>Contudo, Ricardo relata que, além do APTI, foram necessários no estudo a aplicação de mais três indicadores: o Índice de Carga Poluente (PLI, do inglês Pollution Load Index) e medições do hidroperóxido dieno-conjugado (HPCD) e da massa foliar por área (LMA, do inglês Leaf Mass per Area). “Mesmo com essa metodologia [APTI] já validada por diversos artigos científicos, notei que ela não levava em consideração variáveis importantes para se compreender a tolerância e a sensibilidade das espécies, principalmente em relação aos metais pesados”, argumenta o pesquisador. Além desses métodos, a pesquisa realizada na RBCV-SP envolveu um “grande esforço amostral, em 4 parques localizados nas cidades de São Paulo, Cotia e Iperó, sob diferentes fontes de emissão de poluentes e condições climáticas”, explica o pesquisador.</p>
<p><strong>Poluição do ar sob a perspectiva das árvores da Mata Atlântica </strong></p>
<p>A Mata Atlântica é uma zona crucial para a conservação da natureza e para a sustentabilidade global. Porém, esse bioma — considerado um dos locais de maior biodiversidade do planeta — está gravemente fragmentado, devido ao rápido e intenso crescimento urbano. O estudo conduzido pelos pesquisadores Ricardo Nakazato e Marisa Domingos constata que as árvores nativas da Mata Atlântica localizadas na Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo (RBCV-SP) têm sido intensamente contaminadas por poluentes resultantes da ação humana.</p>
<p>Para analisar este complexo cenário, os pontos de coleta das amostras foram distribuídos ao longo de um gradiente da RBCV-SP, que compreende as áreas urbanas do Parque Estadual Fontes do Ipiranga (PEFI) e do Parque Alfredo Volpi (VOLPI) e a zona periurbana da Estação de Tratamento de Água Morro Grande (MORRO), além de uma área periurbana próxima à Floresta Nacional do Ipanema (FLONA). Das 376 amostras coletadas, 29 espécies foram identificadas, das quais seis foram classificadas como consistentemente sensíveis à poluição, 17 como moderadamente sensíveis e quatro como tolerantes. Além de duas espécies que apresentaram classificações diferentes em cada local.</p>
<figure id="attachment_1764" aria-describedby="caption-attachment-1764" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0004-m-1-1024x846.jpg" alt="" width="1024" height="846" class="size-large wp-image-1764" srcset="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0004-m-1-1024x846.jpg 1024w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0004-m-1-768x634.jpg 768w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0004-m-1-640x529.jpg 640w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/rec70449-fig-0004-m-1-400x330.jpg 400w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-1764" class="wp-caption-text">Classificação das espécies de acordo com sua tolerância à poluição do ar, com base em um modelo de regressão logística multinomial e nas variáveis ​​APTI PLI, HPCD e LMA. Figura: reprodução do artigo.</figcaption></figure>
<p>Além da classificação, o estudo apresenta importantes dados referentes à probabilidade de danos na membrana celular, à capacidade de acumular metais e à espessura das folhas de cada espécie frente à poluição. Para Ricardo, “mais do que uma lista de espécies recomendadas para arborização urbana e restauração florestal, o principal legado do estudo é o modelo estabelecido, que permite a inclusão e a avaliação de novas espécies no futuro”, pontua o autor.</p>
<blockquote><p>“Esse estudo promissor ainda nos estimulou a iniciar novas pesquisas na RBCV-SP com financiamento da FAPESP e participação de bolsistas do Biota Síntese, com o objetivo de identificar novas espécies arbóreas da Mata Atlântica tolerantes à exposição a metais pesados, poluentes e mudanças climáticas em áreas urbanas e periurbanas por meio da análise de biomarcadores fisiológicos, bioquímicos, químicos e funcionais em condições naturais”, ressalta Marisa. </p></blockquote>
<p>De acordo com a coordenadora da pesquisa, o estudo objetiva também “aprimorar o modelo de restauração da Mata Atlântica em áreas antropizadas de São Paulo, utilizando biomarcadores da interface vegetação-serapilheira-solo e critérios de seleção de espécies previamente estabelecidos, considerando a poluição atmosférica, as mudanças climáticas e o potencial das espécies nativas para remoção de poluentes”, conclui Marisa. </p>
<p> O estudo pode ser consultado na íntegra no artigo <a href="https://doi.org/10.1111/rec.70449"><strong>Ten rules for using evidence to guide ecosystem restoration</strong></a>, publicado na revista <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/journal/1526100X">Restoration Ecology</a>.</p>
<p><strong>Principais repercussões na mídia:</strong></p>
<p><strong>Jornal((o))eco:</strong> <a href="https://oeco.org.br/reportagens/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista">https://oeco.org.br/reportagens/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista</a></p>
<p><strong>Nexo jornal</strong>: <a href="https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/09/07/arvore-meio-ambiente-poluicao-mata-atlantica-bioma-sao-paulo-sp">https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/09/07/arvore-meio-ambiente-poluicao-mata-atlantica-bioma-sao-paulo-sp</a> </p>
<p><strong>Agência de Notícias de Direitos Animais &#8211; ANDA</strong>: <a href="https://anda.jor.br/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista">https://anda.jor.br/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista </a></p>
<p><strong>Espaço Ecológico</strong>: <a href="https://espacoecologico.com.br/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista/">https://espacoecologico.com.br/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista/ </a></p>
<p><strong>Florestal Brasil</strong>: <a href="https://florestalbrasil.com/post/poluicao-ar-arvores-mata-atlantica-especies-resistentes-arborizacao">https://florestalbrasil.com/post/poluicao-ar-arvores-mata-atlantica-especies-resistentes-arborizacao</a></p>
<p><strong>Portal tudo sobre plantas</strong>: <a href="https://tudosobreplantas.com.br/noticia/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista/">https://tudosobreplantas.com.br/noticia/estudo-revela-impacto-da-poluicao-do-ar-nas-arvores-da-mata-atlantica-paulista/</a></p>
<p>Por <strong>Tatiana Maria </strong>– pesquisadora na USP e jornalista do Biota Síntese por meio da bolsa Mídia Ciência de Jornalismo Científico da Fapesp.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Abelhas estão sob pressão — e isso pode custar caro para a agricultura e para o bolso dos brasileiros</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/abelhas-estao-sob-pressao-e-isso-pode-custar-caro-para-a-agricultura-e-para-o-bolso-dos-brasileiros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Maria Soares Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 14:52:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[Polinização]]></category>
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					<description><![CDATA[Agrotóxicos, perda de habitat, mudanças climáticas e doenças ameaçam os polinizadores que sustentam parte da produção de alimentos e movimentam bilhões na economia As abelhas fazem muito mais do que produzir mel. Elas estão entre os principais polinizadores do planeta e desempenham um papel essencial na reprodução de plantas silvestres, na produção de alimentos e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Agrotóxicos, perda de habitat, mudanças climáticas e doenças ameaçam os polinizadores que sustentam parte da produção de alimentos e movimentam bilhões na economia</em></p>
<p>As abelhas fazem muito mais do que produzir mel. Elas estão entre os principais polinizadores do planeta e desempenham um papel essencial na reprodução de plantas silvestres, na produção de alimentos e no funcionamento dos ecossistemas. No Brasil, cerca de 60% das 141 espécies de plantas cultivadas para alimentação humana, produção animal, biodiesel e fibras dependem, em algum grau, da polinização por animais, segundo estudo de pesquisadores liderados por Tereza Cristina Giannini, publicado em 2015 no <a href="https://bioone.org/journals/journal-of-economic-entomology/volume-108/issue-3/tov093/The-Dependence-of-Crops-for-Pollinators-and-the-Economic-Value/10.1093/jee/tov093.full">Journal of Economic Entomology</a>. As abelhas são as principais polinizadoras.</p>
<p>Mesmo em culturas que não dependem diretamente dos polinizadores, a presença deles pode aumentar a produtividade. Na soja, por exemplo, foi identificado aumento de 18% na produção, segundo a pesquisadora da Embrapa Carmem Pires, em entrevista à <a href="https://apublica.org/2019/03/apicultores-brasileiros-encontram-meio-bilhao-de-abelhas-mortas-em-tres-meses/">Agência Pública e à Repórter Brasil</a> em 2019. Ela cita o exemplo do maracujá, que tem na mamangaba, ou abelhão, um de seus principais polinizadores: sem esse inseto, a produção poderia depender de polinização manual, aumentando os custos e o preço do alimento. Segundo a <a href="https://www.fao.org/pollination/resources/photo-gallery/video-detail/the-importance-of-bees-and-pollinators-for-food-security-and-biodiversity/fr">Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)</a>, 87 dos 115 principais alimentos dependem da polinização.</p>
<p>Esse serviço tem também um peso econômico. Segundo a <a href="https://www.ipbes.net/article/press-release-pollinators-vital-our-food-supply-under-threat">primeira avaliação global sobre polinizadores da IPBES</a>, plataforma intergovernamental de ciência sobre biodiversidade, entre US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões da produção anual de alimentos no mundo dependem diretamente da polinização feita por animais. O relatório, de 2016, aponta ainda que o volume da produção agrícola dependente de polinizadores cresceu 300% em 50 anos. No Brasil, o estudo de Giannini estimou que a contribuição dos polinizadores equivale a cerca de 30% (aproximadamente US$ 12 bilhões) da renda agrícola anual dos cultivos dependentes. Em São Paulo, um estudo estimou que reduzir o déficit de polinização poderia <a href="https://abelha.org.br/restauracao-de-vegetacao-nativa-aumenta-produtividade-agricola-com-ajuda-de-polinizadores/">gerar ganhos de até R$ 4,2 bilhões por ano</a> para a economia do Estado.</p>
<p>Mas os mesmos insetos que ajudam a sustentar a produção de alimentos e gerar renda para grandes e pequenos agricultores enfrentam uma combinação de pressões. Agrotóxicos, perda de habitat, mudanças climáticas, doenças e outras formas de degradação ambiental podem comprometer a disponibilidade de alimento, os locais de reprodução e a própria sobrevivência de diferentes espécies.</p>
<p>Desde 2013, a campanha internacional <a href="https://www.semabelhasemalimento.com.br/">&#8220;Bee or not to be&#8221;</a> (&#8220;Sem Abelha, Sem Alimento&#8221;) alerta a sociedade sobre o risco do desaparecimento das abelhas e explica como a polinização é vital para a biodiversidade e para a produção da maior parte do que comemos. Lançada em outubro de 2013 durante a Apimondia, o maior congresso de apicultura do mundo realizado em Kiev, na Ucrânia, pelo professor universitário e pesquisador Lionel Segui Gonçalves, ela conta também com representantes no Brasil. Desde 2014, a campanha mantém o Bee Alert, plataforma on-line em que apicultores e pesquisadores registram casos de desaparecimento e morte de abelhas.</p>
<p>Diversos casos têm sido relatados, como, por exemplo, a morte de <a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2019/08/14/mp-encaminha-pedido-de-suspensao-de-inseticida-que-causou-mortandade-de-abelhas-no-rs.ghtml">cerca de 400 milhões de abelhas no Rio Grande do Sul em 2018</a>, <a href="https://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2023/07/19/cerca-de-600-colmeias-sao-intoxicadas-em-mt-apos-aplicacao-errada-de-agrotoxico.ghtml">100 milhões de abelhas no Mato Grosso em 2023</a> e <a href="https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2024/01/18/fazendeiros-sao-indiciados-por-morte-de-quase-de-9-milhoes-de-abelhas-em-goias.ghtml">9 milhões em Goiás em 2024</a>, entre outros. O uso inadequado de inseticidas tem sido a principal causa das mortandade.</p>
<p><strong>Peso na agricultura</strong></p>
<p>Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), quase 90% das espécies de plantas silvestres com flores dependem, total ou parcialmente, da polinização feita por animais. O mesmo ocorre com mais de 75% das culturas alimentares e 35% das terras agrícolas do planeta. Além das abelhas, borboletas, morcegos, beija-flores e besouros também participam desse processo.</p>
<p>Em São Paulo, <a href="https://semil.sp.gov.br/?p=123020">estudo</a> desenvolvido no âmbito do <a href="https://biotasintese.iea.usp.br/pt/">BIOTA Síntese</a>, em parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições, estimou que reduzir o déficit do serviço de polinização poderia representar ganhos de até R$ 4,2 bilhões por ano para a economia paulista. Vencedor do Prêmio MapBiomas 2025, o trabalho aponta a conservação e a recuperação da vegetação nativa perto das lavouras como caminho para ampliar o fluxo de polinizadores.</p>
<blockquote><p>“A maior parte das abelhas é solitária e não vive em sociedade, mas todas atuam como polinizadoras importantíssimas”, disse Daniel Malusá Gonçalves, diretor da ONG Bee or not to Be, <a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/05/abelhas-por-que-sao-importantes-e-como-podemos-evitar-seu-desaparecimento">à reportagem da National Geographic Brasil sobre a importância das abelhas</a>. Das mais de 20 mil espécies de abelhas do mundo, mais de 4 mil estão na América Latina, a maioria nativas e sem ferrão.&#8221;</p></blockquote>
<p>A polinização acontece quando as abelhas transportam o pólen de uma flor para outra, permitindo a fertilização e a reprodução das plantas. Em algumas espécies, esse processo é indispensável para a sobrevivência. Em plantas frutíferas, também pode influenciar a qualidade dos frutos, segundo a bióloga Marina Arbetman, pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), <a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2022/05/abelhas-por-que-sao-importantes-e-como-podemos-evitar-seu-desaparecimento">em entrevista à mesma revista</a>.</p>
<p>O efeito vai além das plantas. Sementes e frutos alimentam outros animais e ajudam a sustentar cadeias alimentares inteiras. As abelhas também podem funcionar como bioindicadoras da qualidade ambiental.</p>
<p><strong>Ecodependência</strong></p>
<p>Para sobreviver, as abelhas precisam de alimento, locais para construir ninhos e ambientes com menor exposição a substâncias tóxicas. O pólen fornece proteínas e o néctar, carboidratos. Por isso, a disponibilidade de flores ao longo do ano é fundamental.</p>
<p>A perda de vegetação pode comprometer tanto a alimentação quanto a reprodução. As abelhas do gênero Melipona, por exemplo, utilizam buracos em troncos de árvores para construir seus ninhos. A manutenção de árvores de grande porte e da vegetação nativa, portanto, é importante para essas populações.</p>
<p>A relação entre abelhas e plantas também varia conforme cada ecossistema. Uma pesquisa com participação do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), vinculado à Semil, identificou as bromélias como algumas das principais fontes de alimento das abelhas nas restingas de Ilha Comprida e da Ilha do Cardoso, no litoral sul de São Paulo.</p>
<p>Publicado em 2026 na <a href="https://www.scielo.br/j/hoehnea/a/3jygdXw6tVM76pxFsnNMggn/abstract/?lang=en">revista científica Hoehnea, o estudo analisou os grãos de pólen transportados por 136 abelhas de 15 espécies</a>. Os resultados mostram como a conservação das plantas nativas está diretamente relacionada à manutenção dos polinizadores.</p>
<p>Entre as plantas identificadas, destacaram-se as bromélias dos gêneros Aechmea e Quesnelia, encontradas com frequência nas abelhas de Ilha Comprida. A quantidade registrada indica que essas plantas podem ter papel especialmente importante para os polinizadores das restingas do litoral sul paulista, embora as pesquisadoras ressaltem que são necessários novos estudos. Segundo as autoras, a predominância de plantas nativas entre os recursos identificados reforça a importância de conservar as restingas e pode orientar a escolha de espécies em projetos de recuperação de áreas degradadas.</p>
<p><strong>Agrotóxicos</strong></p>
<p>Entre as principais ameaças está a exposição a agrotóxicos. Neonicotinoides, como clotianidina, imidacloprido e tiametoxam, atuam no sistema nervoso dos insetos. O fipronil também é associado à mortalidade de abelhas. A forma de aplicação também importa. Segundo pesquisa da Embrapa de 2004, 19% do agrotóxico aplicado por pulverização aérea se dispersa para fora da área de aplicação.</p>
<p>No Brasil, o Ibama iniciou em 2012 a reavaliação de defensivos agrícolas à base de fipronil e neonicotinoides devido ao risco de mortalidade para abelhas e outros polinizadores. Em <a href="https://www.agrolink.com.br/noticias/tribunal-reforca-restricoes-a-pulverizacao--entenda_518884.html">decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3)</a>, a Justiça determinou que o Ministério da Agricultura aplique as restrições resultantes das reavaliações do imidacloprido, da clotianidina e do tiametoxam, fixou prazo para o Ibama concluir a do fipronil e manteve a proibição da pulverização aérea dos quatro produtos.</p>
<p><strong>Ameaças à vida das abelhas</strong></p>
<p>A expansão urbana, o desmatamento e a substituição da vegetação por monoculturas também reduzem as áreas disponíveis para alimentação e reprodução. Em paisagens dominadas por uma única cultura, as abelhas podem encontrar uma grande quantidade de flores durante determinado período, mas enfrentar escassez de alimento depois da colheita. “Na entressafra não tem nada e isso as obriga a percorrer distâncias muito longas atrás de alimento”, explicou Arbetman à National Geographic Brasil.</p>
<p>As mudanças climáticas acrescentam outra camada de pressão. O aumento das temperaturas, as secas e as alterações no regime de chuvas podem modificar o período de floração das plantas e a disponibilidade de néctar e pólen, além de afetar diretamente o comportamento dos insetos.</p>
<p>Uma <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10889774/">modelagem global publicada por Rahimi e Jung em 2024</a> na revista Insects avaliou 1.365 espécies de abelhas sob diferentes cenários climáticos. No cenário de altas emissões SSP5-8.5, projetado para 2070, 65% das espécies analisadas podem perder áreas com condições climáticas favoráveis, enquanto 35% podem manter ou ampliar essas áreas.</p>
<p>Outro risco é o chamado descompasso entre plantas e polinizadores. Quando o calor antecipa a floração e as abelhas não acompanham o mesmo ritmo, diminui o tempo em que flores e insetos coincidem, e falta alimento. Ondas de calor, secas prolongadas, chuvas intensas e enchentes também podem afetar diretamente os ninhos e as colônias.</p>
<p><strong>Doenças e novas ameaças</strong></p>
<p>A movimentação de abelhas entre diferentes regiões também pode levar patógenos para populações que não estavam expostas anteriormente a determinadas doenças, segundo Arbetman. Nos Estados Unidos, mais de um terço dos enxames tem sido perdido a cada ano, em um fenômeno associado à chamada Síndrome do Colapso das Colônias (CCD, na sigla em inglês).</p>
<p>A pressão sobre os polinizadores não se limita aos riscos mais conhecidos. Um relatório publicado <a href="https://www.reading.ac.uk/news/2025/Research-News/Bee-wild-report-bees-facing-new-threats-putting-our-survival-and-theirs-at-risk">em 2025 pela Bee:wild</a> identificou 12 ameaças emergentes que podem acelerar a perda desses insetos nos próximos 5 a 15 anos. A lista inclui poluição por microplásticos, antibióticos, metais pesados e luz artificial; mineração de metais como lítio e cobalto; plantios de árvores mal planejados em projetos de carbono; incêndios florestais associados a outras pressões e os chamados coquetéis de pesticidas.</p>
<p>“Identificar novas ameaças e encontrar maneiras de proteger os polinizadores precocemente é fundamental para evitar novos declínios significativos”, disse Simon Potts, professor da Universidade de Reading, no Reino Unido, e principal autor do relatório.</p>
<p><strong>O que pode ser feito</strong></p>
<p>A proteção das abelhas passa pela conservação e recuperação dos ambientes onde elas vivem, mas também por mudanças na forma como áreas agrícolas são manejadas.</p>
<p>No Pampa gaúcho, uma iniciativa busca aproximar agricultura e apicultura. O Projeto Coexistência entre Agricultura e Apicultura – Mel de Florada de Soja do Pampa Gaúcho, da BASF Soluções para Agricultura Brasil, foi criado para mostrar que o cultivo de soja e a apicultura podem dividir o mesmo território quando há boas práticas, manejo adequado e diálogo entre produtores rurais e apicultores. Durante a floração, as lavouras funcionam como fonte complementar de alimento para as abelhas. Na safra 2025/26, os 23 apicultores participantes do projeto produziram aproximadamente 36 mil quilos de mel de florada de soja, 44% a mais que na safra anterior, segundo a BASF. Os agricultores relataram benefícios produtivos associados à maior presença de polinizadores nas lavouras. Vale lembrar que a BASF é uma das maiores empresas químicas do mundo e atua fortemente como fabricante de defensivos agrícolas (pesticidas).</p>
<p>Para oferecer alimento às colmeias também na entressafra da soja, a BASF e parceiros como a Fundação Eco+ e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) plantaram, em agosto, cerca de 5 mil mudas de 27 espécies nativas em aproximadamente 2,5 hectares no distrito de Catuçaba, em São Gabriel (RS), com o objetivo de ampliar a oferta de flores em diferentes períodos do ano. A iniciativa terá continuidade na safra 2026/27.</p>
<p>Em São Paulo, o Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal, vinculada à Semil, atua em mais de 25 Unidades de Conservação. As áreas protegidas abrigam 32 espécies de abelhas nativas sem ferrão, o equivalente a 51% das registradas no Estado, incluindo espécies ameaçadas de extinção, além de 41 espécies de abelhas solitárias. Criado em 2020, o programa O programa mantém cerca de 192 caixas racionais para estudo, reprodução e manejo sustentável e prevê 30 meliponários educativos.</p>
<figure id="attachment_1780" aria-describedby="caption-attachment-1780" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/10/whatsapp-image-2026-10-05-at-17.25.15.avif" alt="" width="1000" height="666" class="size-full wp-image-1780" srcset="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/10/whatsapp-image-2026-10-05-at-17.25.15.avif 1000w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/10/whatsapp-image-2026-10-05-at-17.25.15-768x511.avif 768w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/10/whatsapp-image-2026-10-05-at-17.25.15-640x426.avif 640w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/10/whatsapp-image-2026-10-05-at-17.25.15-400x266.avif 400w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption id="caption-attachment-1780" class="wp-caption-text">Em São Paulo, o Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal atua em mais de 25 Unidades de Conservação. — Foto: Fundação Florestal / Divulgação.</figcaption></figure>
<p>O programa também se conecta à geração de renda. No PSA Juçara (pagamento por serviços ambientais), da Fundação Florestal, voltado à conservação e ao repovoamento da palmeira-juçara, as abelhas participam da polinização da espécie, e a criação de abelhas nativas pode gerar mel e própolis e complementar a renda das famílias. Atualmente, 61 famílias participantes já têm caixas de abelhas nativas, com 225 colônias implantadas, 450 ninhos-isca instalados e 42 ninhos naturais identificados e protegidos. O potencial, considerando as duas edições do programa, é chegar a cerca de 3.400 colônias até 2030.</p>
<p>Entre as espécies acompanhadas pelo programa estão a uruçu-amarela-do-cerrado (Melipona rufiventris), a uruçu-amarela da Mata Atlântica (Melipona mondury), a manduri (Melipona marginata) e a guaraipo-amarela (Melipona bicolor), todas consideradas ameaçadas de extinção.</p>
<p>&#8220;Conhecer onde estão essas espécies e como elas se relacionam com os diferentes ambientes é fundamental para orientar as ações de conservação&#8221;, disse Gustavo Feliciano Alexandre, gestor da APA do Carmo e coordenador do programa. Segundo ele, as Unidades de Conservação protegem não apenas a vegetação, mas também os polinizadores responsáveis por manter e regenerar esses ecossistemas.</p>
<p>O programa também atua fora das áreas protegidas. A Fundação Florestal já promoveu mais de dez rodadas de oficinas e treinamentos sobre manejo e regularização da criação de abelhas nativas. O PAN-FF ainda oferece suporte técnico a comunidades indígenas no PSA Guardiões das Florestas, com capacitações e monitoramento de ninhos naturais nos territórios. Nas unidades de conservação, os meliponários funcionam como espaços de educação ambiental para estudantes e visitantes.</p>
<blockquote><p>&#8220;A conservação ganha escala quando conseguimos transformar o conhecimento produzido nas Unidades de Conservação em políticas públicas que também geram oportunidades para as comunidades&#8221;, afirmou o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz.</p></blockquote>
<p>Já o projeto Colmeia Viva, iniciado em 2013 com participação da Unesp e da UFSCar, mapeou entre 2014 e 2017 a perda de enxames em São Paulo. Foram identificados 107 produtores afetados em 78 cidades e cerca de 255 milhões de abelhas mortas. Das 88 amostras analisadas, 59, ou cerca de 67%, apresentaram resíduos de pesticidas.</p>
<p>As soluções também podem envolver medidas mais simples. Plantar espécies nativas, manter flores e árvores que ofereçam alimento aos polinizadores e evitar o uso de pesticidas em jardins e áreas verdes são algumas das recomendações dadas por especialistas. Entre as medidas estruturais estão ainda a redução da exposição a pesticidas nocivos, a conservação de habitats e o incentivo à agroecologia.</p>
<p>Para Arbetman, porém, a proteção dos polinizadores depende de uma mudança mais ampla na relação entre produção e conservação. “Enquanto nosso objetivo como humanos for voltado para o produtivo somente, sem considerar a saúde dos ecossistemas no longo prazo, ainda haverá impacto para as abelhas e isso prejudicará tanto o meio ambiente como a agricultura”, afirmou.</p>
<p>Por <strong>Naiara Bertão</strong> do movimento Um Só Planeta. </p>
<p>Este texto foi originalmente publicado no site <a href="https://umsoplaneta.globo.com/">Um Só Planeta</a>. Leia a matéria <a href="https://umsoplaneta.globo.com/biodiversidade/noticia/2026/10/06/abelhas-estao-sob-pressao-e-isso-pode-custar-caro-para-a-agricultura-e-para-o-bolso-dos-brasileiros.ghtml">original aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dez regras para o uso de evidências na restauração de ecossistemas</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/dez-regras-para-o-uso-de-evidencias-na-restauracao-de-ecossistemas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Maria Soares Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 12:08:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://biotasintese.iea.usp.br/?p=1758</guid>

					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wpb-content-wrapper" id="wpb-content-root"><div class="vc_row wpb_row row top-row wpb_custom_034b39d9bc6c6b310d69e39f0ccf274f"><div class="vc_column_container col-md-12"><div class="wpb_wrapper vc_column-inner">
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			<p><em>Com abordagem transdisciplinar e coprodução internacional, o estudo publicado no Journal of Applied Ecology apresenta um guia prático para colocar em ação o melhor conhecimento disponível em restauração, assegurando benefícios às pessoas e à natureza</em></p>
<p>Estamos na Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas (2021-2030), porém, esse compromisso assumido por diversos países do mundo e considerado vital para o enfrentamento às crises climáticas e planetárias ainda é um desafio para os restauradores. Esse cenário ocorre, principalmente, pela falta de conhecimentos baseados em evidências que sejam facilmente acionáveis. O estudo publicado na revista <a href="https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70520">Journal of Applied Ecology</a> busca sanar essa lacuna na literatura científica ao desenvolver diretrizes para uma efetiva restauração ecológica baseada em evidências.</p>
<p>A pesquisa, que conta com o apoio da Fapesp por meio do núcleo <a href="https://biotasintese.iea.usp.br/pt/about-the-project/">Biota Síntese</a> (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/109281/biota-sintese-nucleo-de-analise-e-sintese-de-solucoes-baseadas-na-natureza/">20/06694-8</a>), sistematiza de maneira direta e aplicável dez passos fundamentais para o uso de evidências na restauração de ecossistemas. Essa operacionalização inédita, desenvolvida por cientistas e profissionais do Brasil, México, China, Etiópia, Gana, Espanha e Inglaterra, pode ser aplicada nos mais diversos ecossistemas do mundo, de modo adaptado a cada contexto.</p>
<blockquote><p>
“Estudos anteriores já apontavam que era benéfico usar evidências para melhorar os resultados da restauração, mas, para quem buscava aplicar essas evidências, ainda faltava um guia prático de como fazer e quais cuidados tomar”, explica <a href="http://lattes.cnpq.br/4958940816437040">Rafael Chaves</a>, autor brasileiro do estudo, vice-diretor do núcleo Biota Síntese e especialista ambiental do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA-Semil).
</p></blockquote>
<p>Segundo os autores, o primeiro passo no uso de evidências em projetos de restauração ecológica deve ser relacionado ao knowledge brokering, ou seja, garantir que haja um sistema para articular os conhecimentos. O estudo propõe, em seguida, que o interessado identifique os objetivos e desafios prioritários da restauração e pesquise as mais variadas evidências, examinando sua robustez, vieses e aplicabilidade. “Embora muito conhecimento já tenha sido produzido, o restaurador precisa ter segurança do que é útil no caso dele”, pontua Rafael Chaves.</p>
<p>O estudo também pontua a relevância de se contemplar diversas cosmovisões e sistemas de saberes. “É importante reconhecer e integrar diferentes tipos de conhecimento, como o científico, o prático, o indígena e o das comunidades locais”, explica Rafael.</p>
<p>Nesse sentido, os autores destacam a necessidade de considerar o contexto das políticas públicas de cada local — articulando a interface entre ciência, política e prática —, e também projetar cenários socioecológicos futuros, para garantir a eficácia a longo prazo da restauração em um mundo em transformação. Nessa complexa operacionalização, discutir escolhas e compensações na hora das tomadas de decisões — o chamado trade-off — é essencial.</p>
<p>Como última diretriz, a pesquisa destaca o papel estratégico da coprodução de conhecimentos acionáveis por meio de instituições e pessoas que promovam a articulação das práticas e evidências, favorecendo seu uso nos mais diversos contextos. Segundo Rafael Chaves, este procedimento visa preencher as lacunas de conhecimento identificadas durante  a aplicação das dez regras para o uso de evidências na restauração.</p>
<p><strong>Transdisciplinaridade aplicada aos ecossistemas </strong></p>
<p>A coprodução internacional da pesquisa, que abrange quatro continentes, atua na interface entre ciência, prática e política pública. O grupo de autores integra especialistas de diferentes áreas que pesquisam e atuam na área da restauração de ecossistemas por meio de órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e instituições de pesquisa.</p>
<figure id="attachment_1738" aria-describedby="caption-attachment-1738" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-15.33.13-1-scaled-e1792674384921-1024x565.jpeg" alt="" width="1024" height="565" class="size-large wp-image-1738" srcset="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-15.33.13-1-scaled-e1792674384921-1024x565.jpeg 1024w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-15.33.13-1-scaled-e1792674384921-768x424.jpeg 768w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-15.33.13-1-scaled-e1792674384921-640x353.jpeg 640w, https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-15.33.13-1-scaled-e1792674384921-400x221.jpeg 400w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-1738" class="wp-caption-text">A parceria para estudo surgiu de um grupo de trabalho formado no âmbito de um projeto de síntese científica, financiado pela British Ecological Society. Os encontros presenciais ocorreram na Espanha e no Brasil. Imagem: Rafael Chaves.</figcaption></figure>
<p>Por meio da transdisciplinaridade, os autores constatam a necessidade de projetos de restauração de ecossistemas considerarem pesquisa e prática e integrarem, além do manejo, das espécies e das evidências, também dinâmicas socioecológicas locais.</p>
<blockquote><p>
“O estudo foi desenvolvido mesclando uma revisão bibliográfica consistente com a experiência prática dos autores aplicando evidências em iniciativas de restauração em diferentes ecossistemas, combinando assim embasamento acadêmico e experiência aplicada”, conclui Rafael.
</p></blockquote>
<p>O artigo <strong>&#8220;Ten rules for using evidence to guide ecosystem restoration&#8221;</strong> pode ser lido em: <a href="https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70520">https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.70520</a>.</p>
<p><strong>Principais repercussões na mídia:</strong></p>
<p><strong>Agência Fapesp: </strong> <a href="https://agencia.fapesp.br/cientistas-propoem-dez-regras-para-embasar-a-restauracao-de-ecossistemas/59113">https://agencia.fapesp.br/cientistas-propoem-dez-regras-para-embasar-a-restauracao-de-ecossistemas/59113</a></p>
<p><strong>Poder 360: </strong> <a href="https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/estudo-da-fapesp-cria-10-regras-para-restauracao-ecologica/">https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/estudo-da-fapesp-cria-10-regras-para-restauracao-ecologica/</a></p>
<p><strong>Planeta Amazônia: </strong> <a href="https://planetaamazonia.com/estudo-propoe-10-regras-para-tornar-restauracao-de-florestas-e-outros-ecossistemas-mais-eficiente/">https://planetaamazonia.com/estudo-propoe-10-regras-para-tornar-restauracao-de-florestas-e-outros-ecossistemas-mais-eficiente/</a></p>
<p><strong>Florestal Brasil: </strong> <a href="https://florestalbrasil.com/post/dez-regras-restauracao-ecologica-baseada-em-evidencias">https://florestalbrasil.com/post/dez-regras-restauracao-ecologica-baseada-em-evidencias</a></p>
<p><strong>Portal tratamento de àgua</strong>: <a href="https://tratamentodeagua.com.br/artigo/cientistas-regras-embasar-restauracao-ecossistemas/">https://tratamentodeagua.com.br/artigo/cientistas-regras-embasar-restauracao-ecossistemas/</a></p>
<p><strong>Universo cooperativo:</strong> <a href="https://universocooperativo5.wordpress.com/2026/09/02/cientistas-propoem-dez-regras-para-a-restauracao-de-ecossistema/">https://universocooperativo5.wordpress.com/2026/09/02/cientistas-propoem-dez-regras-para-a-restauracao-de-ecossistema/</a></p>
<p><strong>RuralTec TV:</strong> <a href="https://www.ruraltectv.com.br/dez-regras-para-restaurar-ecossistemas-com-base-evidencias/">https://www.ruraltectv.com.br/dez-regras-para-restaurar-ecossistemas-com-base-evidencias/</a></p>
<p><strong>Tv10: </strong> <a href="https://tv10.com.br/ciencia/cientistas-definem-dez-regras-para-orientar-restauracao-de-ecossistemas/">https://tv10.com.br/ciencia/cientistas-definem-dez-regras-para-orientar-restauracao-de-ecossistemas/</a></p>
<p>Por <strong>Tatiana Maria </strong>– pesquisadora na USP e jornalista do Biota Síntese por meio da bolsa Mídia Ciência de Jornalismo Científico da Fapesp.</p>

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</div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Estudo mostra o potencial de parques para a recreação e regulação climática e hídrica das cidades</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/estudo-mostra-o-potencial-de-parques-para-a-recreacao-e-regulacao-climatica-e-hidrica-das-cidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Maria Soares Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2026 18:26:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[A pesquisa realizada por cientistas do Programa Biota/Fapesp em coprodução com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo desenvolveu uma ferramenta para priorizar benefícios ecossistêmicos na criação de espaços verdes urbanos. Entrar num parque nos evoca muitas sensações. O balanço das folhas das árvores, o frescor do ar, o contraste [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A pesquisa realizada por cientistas do Programa Biota/Fapesp em coprodução com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo desenvolveu uma ferramenta para priorizar benefícios ecossistêmicos na criação de espaços verdes urbanos.</em></p>
<p>Entrar num parque nos evoca muitas sensações. O balanço das folhas das árvores, o frescor do ar, o contraste do verde, o som das crianças brincando — tudo isso nos traz uma série de benefícios. Dentro de uma metrópole, como a cidade de São Paulo, e em um cenário de emergência climática, com temperaturas cada vez mais elevadas, o impacto desses espaços verdes pode ser ainda maior. Esse é um dos resultados da pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), participantes do Programa <a href="https://www.biota.org.br/">Biota/Fapesp</a>.</p>
<p>“No laboratório, estamos muito focados em trabalhar com soluções baseadas na natureza e ambientes urbanos. Como meu propósito era entender como essas soluções poderiam melhorar a qualidade de vida da população e já havia muitos dados sobre o assunto, nós tivemos a ideia de investigar como priorizar e alocar essas soluções de maneira inteligente, para maximizar o custo-benefício e os impactos positivos desses locais para toda a população”, explica <a href="http://lattes.cnpq.br/3558069018356694">Gabriel Moreno Tarragô</a>, pesquisador do Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação (LEPaC) da USP e um dos autores da pesquisa.</p>
<p>O estudo analisou, além da recreação, a potencialidade de mais dois serviços ecossistêmicos providos por parques urbanos e essenciais e críticos nas grandes cidades, como São Paulo: regulação climática e infiltração hídrica. Os resultados obtidos se somam ao conjunto de informações geradas pelo projeto <a href="https://www.biota.org.br/biota-sintese-faz-sua-primeira-contribuicao-em-politicas-publicas/">BIOTA Síntese</a>.</p>
<p>“Os serviços ecossistêmicos são os benefícios que a natureza consegue oferecer aos seres humanos. Então, os parques, além de seu papel recreativo, têm o potencial de regulação térmica por meio da redução dos efeitos das ondas de calor, e também melhoram a infiltração de água, reduzindo os riscos de enchentes, inundações e alagamentos”, pontua Tarragô.</p>
<p>Segundo o pesquisador, a criação de parques urbanos geralmente é influenciada por muitos fatores, como pressão social, interesses políticos e disponibilidade de recursos financeiros. Porém, esses fatores, sem um planejamento estratégico, na maioria das vezes limitam os benefícios sociais e ambientais que esses espaços verdes poderiam oferecer.</p>
<p>“Ao priorizar um fator em detrimento de outro na implementação dos parques, sem um benefício específico em mente, como, por exemplo, apenas reduzir seu custo financeiro, o projeto pode acabar desperdiçando diversos serviços ecossistêmicos que um parque poderia proporcionar. Por isso, planejamento, priorização e otimização espacial eficiente são importantes”, explica o pesquisador.</p>
<p><strong>Interface entre ciência e gestão pública</strong></p>
<p>Para superar essas limitações e encontrar a melhor forma de planejar espaços verdes em áreas urbanas, Gabriel Tarragô, com o apoio de um grupo de pesquisadores e de técnicos da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SVMA), analisou 211 projetos de parques propostos pelo órgão. A pesquisa realizou diversas simulações de possíveis cenários para a implantação dos parques, por meio da quantificação dos custos envolvidos e do potencial deles para fornecer serviços de regulação climática, infiltração de água e recreação.</p>
<p>“É um estudo de priorização. Então, o objetivo foi testar diferentes cenários de minimização e maximização de benefícios e avaliar tanto os custos de implementação desses parques como seu potencial em fornecer serviços ecossistêmicos em cada cenário testado”, diz Tarragô.</p>
<p>Na pesquisa foi utilizada uma abordagem que integrou a oferta, a demanda e o fluxo desses três serviços ecossistêmicos com uma ferramenta de otimização espacial para a simulação dos diferentes cenários de priorização. Os custos dos parques foram avaliados de acordo com três critérios – a desapropriação de área, a implementação do parque e a sua manutenção.</p>
<p><strong>Resultados</strong></p>
<p>O pesquisador destaca que o conjunto de dados resultantes das análises proporcionou uma quantificação inédita dos custos, benefícios e provisões ecossistêmicas de cada parque estudado. Assim foi possível identificar quais são as priorizações que esses projetos devem considerar de acordo com seus objetivos específicos.</p>
<p>“Se há um recurso financeiro disponível e o objetivo da implementação do parque é a regulação térmica da cidade, hoje nós conseguimos saber quais projetos conseguem trazer um melhor retorno climático possível, dentro do limite orçamentário proposto”, exemplifica Tarragô.</p>
<p>Além disso, os resultados indicam que o equilíbrio entre os custos e benefícios de criação e manutenção desses espaços é crucial nas compensações entre os serviços ecossistêmicos. Este equilíbrio também ajuda a distribuir mais igualmente os serviços e benefícios para toda a cidade.</p>
<p>Outro aspecto importante da pesquisa é seu caráter transdisciplinar. Conforme destacado por Tarragô, essa colaboração entre ciência e gestão pública em São Paulo gerou um modelo replicável de otimização para priorizar a implementação de espaços verdes nas cidades. Essa ferramenta integra diferentes cenários, análises e serviços ecossistêmicos e tem o potencial de ser reproduzida na prática em várias cidades ao redor do mundo.</p>
<p>Assim, o estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros em coprodução com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) é uma ferramenta de adaptação climática global e pode auxiliar diferentes populações a enfrentar, de maneira planejada, tanto os desafios cotidianos dos centros urbanos, como os impactos negativos dos eventos extremos climáticos.</p>
<p>O artigo “Integrating ecosystem services and optimization analyses to prioritize green spaces implementation in a Global South megacity”, publicado no periódico científico “Urban Forestry &#038; Urban Greening”, que apresenta o estudo completo, pode ser lido na íntegra neste <a href="https://doi.org/10.1016/j.ufug.2026.129314">link</a>.</p>
<p><strong>Principais repercussões na mídia:</strong></p>
<p><strong>Jornal da USP: </strong> <a href="https://jornal.usp.br/uspnews/beyond-recreation-parks-have-the-potential-to-regulate-cities-climate-and-water-systems/">https://jornal.usp.br/uspnews/beyond-recreation-parks-have-the-potential-to-regulate-cities-climate-and-water-systems/</a></p>
<p><a href="https://jornal.usp.br/ciencias/alem-da-recreacao-parques-tem-potencial-para-regulacao-climatica-e-hidrica-das-cidades/">https://jornal.usp.br/ciencias/alem-da-recreacao-parques-tem-potencial-para-regulacao-climatica-e-hidrica-das-cidades/</a></p>
<p><strong>Agência FAPESP</strong>: <a href="https://agencia.fapesp.br/ferramenta-ajuda-a-escolher-os-melhores-locais-para-novos-parques-em-sao-paulo/59174">https://agencia.fapesp.br/ferramenta-ajuda-a-escolher-os-melhores-locais-para-novos-parques-em-sao-paulo/59174</a></p>
<p><strong>Agriconline</strong>: <a href="https://noticias.agriconline.com.br/sustentabilidade/parques-urbanos-planejamento-inteligente-amplia-beneficios-climaticos-e-sociais">https://noticias.agriconline.com.br/sustentabilidade/parques-urbanos-planejamento-inteligente-amplia-beneficios-climaticos-e-sociais</a></p>
<p><strong>Florestal Brasil</strong>: <a href="https://florestalbrasil.com/post/parques-urbanos-regulacao-climatica-infiltracao-agua-servicos-ecossistemicos">https://florestalbrasil.com/post/parques-urbanos-regulacao-climatica-infiltracao-agua-servicos-ecossistemicos</a></p>
<p><strong>Grupo Sul News</strong>: <a href="https://gruposulnews.com.br/alem-da-recreacao-parques-tem-potencial-para-regulacao-climatica-e-hidrica-das-cidades/">https://gruposulnews.com.br/alem-da-recreacao-parques-tem-potencial-para-regulacao-climatica-e-hidrica-das-cidades/</a></p>
<p><strong>Gazeta de Pinheiros</strong>: <a href="https://gazetadepinheiros.com.br/noticia/19352/estudo-da-usp-mostra-como-parques-podem-ajudar-a-reduzir-calor-e-alagamentos">https://gazetadepinheiros.com.br/noticia/19352/estudo-da-usp-mostra-como-parques-podem-ajudar-a-reduzir-calor-e-alagamentos</a></p>
<p>Por <strong>Tatiana Maria </strong>– pesquisadora na USP e jornalista do Biota Síntese por meio da bolsa Mídia Ciência de Jornalismo Científico da Fapesp.</p>
<p>Este texto foi originalmente publicado no site do programa <a href="https://www.biota.org.br/">BIOTA-FAPESP</a>. Leia a matéria<a href="https://www.biota.org.br/estudo-mostra-o-potencial-de-parques-para-a-recreacao-e-regulacao-climatica-e-hidrica-das-cidades/"> original aqui</a>.</p>
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		<title>ONDAS DE CALOR E SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/ondas-de-calor-e-solucoes-baseadas-na-natureza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Welington Alessandro Bispo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 13:46:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://biotasintese.iea.usp.br/?p=1669</guid>

					<description><![CDATA[Entrevista para o videocast do ICB-USP ONDAS DE CALOR E SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA. Prof. Jean Paul Metzger &#8211; Universidade de São Paulo (IB-USP) &#160; &#160; Assista à entrevista completa neste link.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="elementor-element elementor-element-2db6a585 elementor-widget elementor-widget-heading" data-id="2db6a585" data-element_type="widget" data-widget_type="heading.default">Entrevista para o videocast do ICB-USP</div>
<div data-id="2db6a585" data-element_type="widget" data-widget_type="heading.default">ONDAS DE CALOR E SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA.</div>
<div data-id="2db6a585" data-element_type="widget" data-widget_type="heading.default">Prof. Jean Paul Metzger &#8211; Universidade de São Paulo (IB-USP)</div>
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<p><em>Assista à entrevista completa neste <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_eW7O6Gz_rs" target="_blank" rel="noopener">link</a>.</em></p>
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		<title>As soluções da natureza para resistir à mudança climática</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/as-solucoes-da-natureza-para-resistir-a-mudanca-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Welington Alessandro Bispo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 13:34:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
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					<description><![CDATA[Jean-Paul Metzger conecta pesquisa ecológica e políticas públicas para adaptação em tempo de policrises Assim como uma pessoa pode fazer um exame de sangue e usar uma diversidade de parâmetros para avaliar a saúde, indicadores como a acidificação dos oceanos, o aquecimento e o teor de aerossóis e de ozônio na atmosfera permitem um diagnóstico [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Jean-Paul Metzger conecta pesquisa ecológica e políticas públicas para adaptação em tempo de policrises</em></p>
<p>Assim como uma pessoa pode fazer um exame de sangue e usar uma diversidade de parâmetros para avaliar a saúde, indicadores como a acidificação dos oceanos, o aquecimento e o teor de aerossóis e de ozônio na atmosfera permitem um diagnóstico planetário. A partir disso, o ecólogo Jean-Paul Metzger, da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que estamos saindo da zona segura para uma zona de alto risco: a ação humana modificou o planeta a caminho de uma zona sem retorno. “Estamos em tempos de policrises”, resumiu, em palestra no último dia da programação científica da 78ª Reunião Anual da SBPC (31/7).</p>
<p>O pesquisador mostrou que alterações como a mudança na ocupação dos solos formam um efeito cascata, conectando fatores como a biodiversidade, a disponibilidade de água, a segurança alimentar, a saúde humana, as mudanças climáticas e outros. As soluções precisam, por isso, levar em conta o conjunto. “Não queremos solucionar um problema e criar outro”, disse Metzger. As florestas, por exemplo, têm efeito positivo tanto na captura de carbono quanto na manutenção da biodiversidade. Plantar monoculturas pode potencializar a absorção de carbono, já que são plantas de crescimento rápido, mas é prejudicial à biodiversidade. E perder diversidade biológica causa outros problemas.</p>
<p>“Adaptar-se às mudanças climáticas não é mais uma escolha, mas uma necessidade crítica para proteger vidas e preservar meios de subsistência”, disse o ecólogo, que propõe promover ações para aumentar a resiliência e a adaptação. A resiliência, ele explicou, é a capacidade de um ecossistema de se modificar em função de uma perturbação e ainda voltar ao equilíbrio anterior. Quando a perturbação excede a capacidade de resiliência, porém, há uma mudança de estado – como um campo que se torna deserto.</p>
<p>A questão é saber qual é o limiar que conduz ao ponto de não retorno. Na Mata Atlântica, um estudo de alguns anos atrás mostrou que, à medida que a floresta é retirada, a comunidade se mantém íntegra até certo ponto, depois do qual perde espécies de forma abrupta. Esse valor varia conforme a qualidade da floresta presente. Como, em geral, não se sabe qual é esse limiar, ou qual porcentagem de floresta é fundamental manter, é preciso planejar com uma margem de segurança.</p>
<p>A adaptação deve acontecer em diferentes momentos no tempo. Sistemas de vigilância sanitária e de alertas antecipados sobre condições climáticas perigosas, por exemplo, permitem agir antecipadamente para evitar maiores problemas. Outras ações são adequadas para momentos durante ou depois da perturbação, com uma combinação de processos naturais e socioeconômicos. Ele exemplificou com as enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul em 2024: depois delas, mesmo que áreas sejam reparadas, alguns locais se revelaram vulneráveis e não estarão seguros. “Vamos ter outro ano de forte efeito El Niño, que já começou. Precisamos aumentar a capacidade preventiva de lidar com eventos e as pessoas não deveriam viver em áreas de risco.”</p>
<p>Este ano, o governo federal lançou o Plano Clima, um planejamento intersetorial de 10 anos que envolve aspectos como agricultura, biodiversidade, cidades e saúde, com metas e ações práticas de mitigação e adaptação. “O plano é interessante, porque, apesar de focado no clima, é policrise e entende que precisamos lidar com os efeitos cascata”, disse Metzger. O comitê interministerial sobre mudança do clima inclui diferentes setores, entre os quais um comitê científico do qual ele faz parte. “O plano foi construído de forma colaborativa, com setores da sociedade olhando em detalhe a parte de adaptação e propondo objetivos, metas e indicadores”, contou.</p>
<p>Existem recursos que ajudam no planejamento. O Sistema de Informações e Análises sobre Impactos das Mudanças do Clima (<a href="http://adaptabrasil.mcti.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">AdaptaBrasil</a>), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por exemplo, tem uma plataforma com dados de todos os municípios brasileiros e mapeia o risco climático, que envolve a probabilidade da ocorrência de um evento climático, índices de vulnerabilidade e outros fatores combinados. “O diagnóstico permite enxergar quais são os problemas e onde é preciso agir.” Pensar nas cidades é fundamental, já que 84% da população brasileira é urbana. O problema é que a maior parte dos municípios não tem planos de redução de risco, portanto, não tem condições de lidar com a crise climática.</p>
<p>É nessa ótica que Metzger propôs um projeto na chamada Biota Síntese do programa Biota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o ecólogo Rafael Chaves, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do estado de São Paulo. “É um projeto de cinco anos, com coordenação acadêmica e técnica, para navegar nessa intersecção entre sínteses científicas e desenho de políticas públicas por meio da abordagem de síntese transdisciplinar de coprodução para potencializar soluções baseadas na natureza.” A ideia é estimular que participantes de várias áreas – como arquitetura, engenharia, saúde pública, direito e biologia – analisem dados já existentes e pensem de forma integrada, chegando a conhecimentos que não se criariam em um paradigma disciplinar. “É uma incubadora de boas ideias para chegar a novas soluções para problemas ambientais de São Paulo.”</p>
<p>Um conjunto de estratégias foi publicado por meio de uma nota técnica, que, segundo ele,</p>
<p>tem muito mais poder transformativo do que os artigos científicos, que costumam ser a produção reconhecida no meio acadêmico. “A nota técnica responde a demandas da sociedade em linguagem mais acessível, coproduzida por pessoas do governo, da sociedade – por meio de organizações não governamentais – e da academia. Uma segunda nota técnica sobre financiamento para restauração deu origem ao Finaclima, um mecanismo de captação de recursos criado pelo governo paulista em 2024.</p>
<p>Outro resultado foi entender que os limites urbanos, ou área periurbana, são pouco utilizados para a restauração florestal e são, na verdade, cruciais para capturar carbono e minimizar eventos de inundação ou deslizamento. “É preciso aproximar as ações de onde as pessoas vivem, mas dentro das cidades não tem espaço e é muito caro”, explicou Metzger. O estudo apontou 300 mil hectares de áreas com potencial de restauração, que teriam efeito positivo para a população urbana. Ficou claro que o encontro entre pesquisa científica, sociedade e políticas públicas é cada vez mais crucial para fazer frente à crise ambiental.</p>
<p>Por <strong>Maria Guimarães</strong> do Jornal da Ciência.</p>
<p>Este texto foi originalmente publicado no <a href="https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/">JC Notícias</a>. Leia a matéria <a href="https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/5-as-solucoes-da-natureza-para-resistir-a-mudanca-climatica/">original aqui</a>.</p>
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		<title>Muito além do verde: como gênero e CEP mudam nossa conexão mental com a natureza</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/como-genero-e-cep-mudam-nossa-conexao-mental-com-a-natureza/</link>
					<comments>https://biotasintese.iea.usp.br/como-genero-e-cep-mudam-nossa-conexao-mental-com-a-natureza/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Welington Alessandro Bispo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 13:54:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
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					<description><![CDATA[Pesquisa da USP revela demanda por mais segurança e biodiversidade em áreas verdes de grandes cidades; sensação de bem-estar em população rural está menos relacionada ao verde e mais ao “azul” Jornal USP &#124; Yasmin Constante* &#8211; A relação entre contato com a natureza e bem-estar psicológico não está necessariamente relacionada à ideia de “quanto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="elementor-element elementor-element-2db6a585 elementor-widget elementor-widget-heading" data-id="2db6a585" data-element_type="widget" data-widget_type="heading.default">
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<p class="elementor-heading-title elementor-size-default"><em>Pesquisa da USP revela demanda por mais segurança e biodiversidade em áreas verdes de grandes cidades; sensação de bem-estar em população rural está menos relacionada ao verde e mais ao “azul”</em></p>
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<p><strong>Jornal USP | Yasmin Constante*</strong> &#8211; A relação entre contato com a natureza e bem-estar psicológico não está necessariamente relacionada à ideia de “quanto mais árvores, melhor”. Uma pesquisa do Instituto de Biociências (IB) da USP identificou que os impactos do meio ambiente na saúde mental dependem de segurança, biodiversidade e qualidade da infraestrutura verde, e que o sentimento de “conexão” pode ser alterado a depender de questões de gênero e de lugar. O trabalho foi pensado a partir da experiência pessoal de Karla Vieira Morato, pesquisadora e autora da tese <a href="https://teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-24042026-190552/pt-br.html" target="_blank" rel="noopener"><em>Conexão entre natureza e saúde mental em paisagens urbanas e rurais: determinantes ambientais e sociais</em></a>. Natural de São Paulo, a bióloga viveu a maior parte da vida em Ibirataia, zona rural da Bahia. Ao retornar à metrópole paulista para o doutorado, o choque entre o estresse urbano e a calmaria do campo despertou o desejo de investigar cientificamente o tema.</p>
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<p>A pesquisadora destaca que apesar das vantagens que a vida urbana proporciona, como maior acesso à saúde e educação, este espaço coloca seus moradores em maiores condições de estresse, causado pela exposição à poluição, superlotação e ruídos constantes. “Tem coisas positivas e é isso que traz as pessoas de uma área rural para uma área urbana, mas tem esses outros fatores que ajudam a adoecer apopulação”, completa. De outro lado, uma das maiores surpresas da pesquisa foi constatar que os moradores da zona rural não apresentaram, necessariamente, índices de saúde mental melhores do que os da população urbana. Além disso, o trabalho destaca que a infraestrutura verde é distribuída de forma desigual no Brasil: segundo o dados do IBGE, apenas 13,5% dos brasileiros vivem em ruas com três ou quatro árvores.</p>
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<p>Para mapear esse cenário, a investigação foi estruturada em três frentes complementares, cruzando dados de percepção subjetiva com indicadores objetivos. No total, a pesquisa recebeu mais de 5 mil respostas.</p>
<p>Na primeira etapa, foi realizada uma metanálise de publicações globais que exploram a relação de exposição à natureza e o impacto na saúde mental. As duas etapas seguintes foram feitas de maneira conjunta por meio de um questionário on-line, desenvolvido na Universidade de Queensland, na Austrália: uma focou em avaliar o impacto da conexão com as áreas verdes no contexto urbano, enquanto a outra comparou os resultados da população rural e urbana.</p>
<p>Durante a revisão da literatura, a pesquisadora encontrou dois fatores fundamentais para o contexto global: o tamanho e o acesso à natureza. “Se a gente analisar isso globalmente, vemos que pessoas que conseguem morar em áreas que têm uma maior quantidade de vegetação, têm uma saúde mental melhor”. Porém, ela destaca que a quantidade só é relevante se o acesso for possível.</p>
<p>A qualidade ecológica, relacionada à biodiversidade e à preservação de uma vegetação mais íntegra, foi outro fator que se destacou. Segundo a pesquisadora, “quanto maior a biodiversidade dessas áreas, maior é o senso de conexão que as pessoas sentem”.</p>
<p>A pesquisa também utilizou o <i>Questionário de Saúde Geral de Goldberg</i> (12 perguntas), uma ferramenta clássica de triagem psíquica que avalia distúrbios não psicóticos (como ansiedade e estresse). Em vez de perguntas diretas, o teste usa abordagens indiretas e cotidianas. A pesquisadora passou a estudar saúde mental em seu doutorado e, por isso, para as perguntas sobre a área, aplicou esse questionário. “O questionário tem 12 questões com perguntas sobre saúde mental. Porém, não são perguntas específicas, para que as pessoas consigam responder da forma mais verídica possível. Por exemplo, ele não vai perguntar se a pessoa está se sentindo ansiosa, mas sim se ela tem se sentido capaz de tomar decisões difíceis”, explica.</p>
<p>De acordo com a pesquisadora, o sentimento de conexão é individual, podendo ser benéfico ou não. Por isso, ela explica que os dados subjetivos são fundamentais para entender o vínculo. “Quando a gente pensa em fatores que podem influenciar a saúde mental, temos que considerar a forma como as pessoas se sentem com essa relação.”</p>
<p>Os resultados demonstraram que, no Brasil, as demandas são, principalmente, por mais segurança e acesso a espaços verdes. Ela explica que estas demandas, assim como a quantidade e o acesso, são questões interligadas, uma vez que o acesso só é possível se a população se sentir segura para frequentar determinados espaços. A interpretação da pesquisa é que a insegurança está relacionada à desigualdade social brasileira, o que pode aumentar os níveis de violência e criminalidade.</p>
<blockquote><p>“As pessoas, às vezes, moram próximas a áreas verdes que não são bem cuidadas, não têm uma boa diversidade, não são seguras e acabam tendo estresse e ansiedade, por medo de passar por essa região” – Karla Morato</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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<figure id="attachment_1637" aria-describedby="caption-attachment-1637" style="width: 630px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-1637 size-full" src="https://biotasintese.iea.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_coberturadaterra1.jpg" alt="" width="630" height="607" /><figcaption id="caption-attachment-1637" class="wp-caption-text">Mapa demonstra distribuição dos participantes que responderam o questionário &#8211; Foto: Reprodução do artigo.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p class="elementor-heading-title elementor-size-default"><strong>Questões de gênero e lugar</strong></p>
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<p>A partir das respostas do questionário, as avaliações buscaram entender também como o contato com a natureza pode ser diferente para homens e mulheres. Karla Morato partiu da proposta de que o sentimento de insegurança afetaria mais a conexão para as mulheres do que para os homens. Porém, os resultados indicaram que o fator é importante para ambos.</p>
<p>A forma como interagem com a natureza também é diferente.  A pesquisa concluiu que para as mulheres o sentimento de conexão com a natureza está relacionado com a frequência com que podem estar próximas de áreas verdes, enquanto os homens se beneficiam mais com variedade dos ambientes naturais do que com a periodicidade. Os resultados indicam que as políticas públicas não devem priorizar apenas o fornecimento de espaços verdes, mas também em fornecer segurança e variedade ecológica.</p>
<p>Segundo a pesquisadora, não foi possível incluir pessoas não binárias devido ao baixo número amostral.</p>
<p>A terceira etapa da pesquisa compara as respostas da população rural e urbana. Em entrevista ao <a href="https://jornal.usp.br/ciencias/muito-alem-do-verde-como-genero-e-cep-mudam-nossa-conexao-mental-com-a-natureza/"><b>Jornal da USP</b></a>, Karla Morato relata que ficou surpresa por não encontrar dados que revelassem melhor saúde mental para aqueles que vivem afastados das grandes cidades.</p>
<p>A pesquisadora explica que estes resultados podem estar ligados ao fato dos espaços verdes serem, em muitos casos, parte do trabalho da população rural. Para eles, o descanso e o senso de conexão está mais relacionado a áreas azuis, como rios e lagos. “Essas áreas dentro da natureza acabam promovendo esse lugar de refúgio para eles”, completa.</p>
<p>Em relação às demandas, o maior pedido da população rural foi por mais infraestrutura, com maior fortalecimento dos espaços verdes, que, sem investimentos em lazer, podem ser percebidos como áreas de trabalho em vez de um ambiente restaurador. A pesquisa identificou que as taxas da cobertura vegetal possuem uma associação negativa com o sentimento de conexão. Por sua vez, a população urbana pediu por mais segurança. “São formas de ver, conviver e interagir com o verde diferentes.”</p>
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<p class="elementor-heading-title elementor-size-default"><strong>Benefícios mútuos</strong></p>
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<p>A partir do trabalho, a bióloga espera demonstrar que a relação entre a saúde mental e a natureza exige mais do que “plantar árvores e colocar mais áreas verdes nas cidades”. Esta é uma relação multifatorial, que é medida por diferentes condições sociais e estruturais.</p>
<blockquote><p>“Quando a gente pensa no contato com a natureza como um meio promotor da saúde, exige que olhe muito além de simplesmente focar na quantidade de verde. Precisar investir, na verdade, na qualidade ecológica e garantir a segurança desses espaços” – Karla Morato</p></blockquote>
<p>Segundo ela, ao investir em espaços verdes de qualidade, o benefício também seria multilateral, com a capacidade de lidar com a crise ambiental e a de saúde mental com uma única solução. “A questão é pensar em políticas públicas que integrem tudo isso”, completa.</p>
<p>Os resultados da pesquisa também foram descritos em um <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0272494426001891" target="_blank" rel="noopener">artigo</a> recém-publicado na revista científica <em>Journal of Environmental Psychology</em>. A tese de Karla Morato, intitulada &#8220;<em>Conexão entre natureza e saúde mental em paisagens urbanas e rurais: determinantes ambientais e sociais&#8221;, </em>está disponível neste <a href="https://teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-24042026-190552/pt-br.html" target="_blank" rel="noopener">link</a>.</p>
<p>Por <strong>Yasmin Constante</strong>, com a arte produzida por Heloisa Falaschi. </p>
<p>Este texto foi originalmente publicado pelo <a href="https://jornal.usp.br/">Jornal da USP</a>. Leia a matéria original aqui <a href="https://jornal.usp.br/ciencias/muito-alem-do-verde-como-genero-e-cep-mudam-nossa-conexao-mental-com-a-natureza/">link</a>.</em></p>
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		<title>Biota Síntese lança duas notas técnicas</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/biota-sintese-lanca-duas-notas-tecnicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Rezende]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Dec 2024 13:41:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[Polinização]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wpb-content-wrapper" id="wpb-content-root"><div class="vc_row wpb_row row top-row wpb_custom_034b39d9bc6c6b310d69e39f0ccf274f"><div class="vc_column_container col-md-12"><div class="wpb_wrapper vc_column-inner">
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			<p><em>O Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e o Serviço de Polinização no estado de São Paulo são os temas das novas notas técnico-científicas publicadas pelo centro de síntese</em></p>
<p>por Pedro A. Duarte*</p>
<p>No dia 4 de dezembro, pesquisadores do <strong>Biota Síntese</strong> lançaram duas notas técnico-científicas na sede da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL). Intitulada <em><a href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1486">Pagamentos por Serviços Ambientais: Teoria e Prática</a> </em>é a quarta nota da série e foi escrita por pesquisadores da USP. Já a nota <a href="https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1490"><em>Potencial do Serviço Ecossistêmico de Polinização no estado de São Paulo</em></a> foi escrita por pesquisadores da USP, UFBA, UFSCar, Embrapa Meio Ambiente. Ambas foram realizadas em uma co-produção e e co-autoria com a equipe técnica da SEMIL, e editadas pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.</p>
<p>A nota técnico-científica <em>Pagamentos por Serviços Ambientais: Teoria e Prática</em> oferece um panorama geral sobre o tema. O documento, apresentado no evento por Patricia Ruggiero, traz a definição de um Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), ou seja, iniciativas que possibilitam a remuneração direta (em moeda ou ativos como equipamentos e infraestrutura)  de proprietários ou usuários de recursos naturais em troca da manutenção ou adoção de um determinado uso ou manejo que favoreça a conservação desses recursos. Além disso, o material também explica os componentes básicos de um PSA trazendo os pontos cruciais no desenho e operação deste tipo de política pública.</p>
<p>Já a nota <em>Potencial do Serviço Ecossistêmico de Polinização no Estado de São Paulo</em> iniciou sua elaboração em uma reunião de síntese em 25 de junho. Apresentada por Eduardo Moreira, a quinta nota técnico-científica da série do <strong>Biota Síntese</strong> tem como objetivo apresentar um modelo de provisão potencial de polinização considerando a localização de cultivos e áreas de vegetação nativa. Desenvolvido no âmbito do projeto, este modelo é baseado na conexão entre oferta, fluxo e demanda &#8211; ou seja, respectivamente: a quantidade e diversidade de polinizadores ofertados por ambientes nativos; a movimentação desses polinizadores pela paisagem; e o número de flores nos campos de cultivo multiplicada pela carga de pólen necessária para polinizar completamente cada flor. Além disso, o modelo promove uma valoração do serviço de polinização no estado. O documento ainda propõe janelas de oportunidades nas políticas estaduais, ou seja, programas que podem se valer do modelo apresentado para embasar suas políticas públicas.</p>
<p>O evento contou com a presença do subsecretário do Meio Ambiente, Jônatas Souza da Trindade, que recebeu as notas técnicas de Rafael Chaves, vice-diretor do <strong>Biota Síntese</strong> e ecólogo especialista em meio ambiente da SEMIL. Danilo Boscolo, autor sênior da nota técnica de polinização, e Carlos Joly, coordenador de comunicação do programa, também estiveram presentes no evento. Ambas as notas técnico-científicas estão disponíveis na aba <a href="https://biotasintese.iea.usp.br/products/">Produtos do site do <strong>Biota Síntese</strong></a>.</p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<p>Investing.com: <a href="https://br.investing.com/news/commodities-news/pesquisa-aponta-ganhos-agricolas-bilionarios-com-restauracao-de-vegetacao-nativa-em-sp-1410752">Pesquisa aponta ganhos agrícolas bilionários com restauração de vegetação nativa em SP</a><br />
Revista Veja: <a href="https://veja.abril.com.br/agenda-verde/restauracao-do-bioma-pode-ate-dobrar-a-producao-agricola/">Restauração de biomas pode até dobrar a produção agrícola</a><br />
Globo Rural: <a href="https://globorural.globo.com/especiais/um-so-planeta/noticia/2024/12/recomposicao-de-vegetacao-nativa-pode-gerar-r-42-bilhoes-na-producao-agricola-de-sp.ghtml">Recomposição de vegetação nativa pode gerar R$ 4,2 bilhões na produção agrícola de SP</a></p>
<p>* <strong>Pedro A. Duarte</strong> é formado em Jornalismo pela FAAP. Está cursando a pós-graduação em Jornalismo Científico pelo Labjor Unicamp e faz estágio no Biota Síntese por meio da bolsa Mídia Ciência de Jornalismo Científico concedida pela FAPESP.</p>

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			</item>
		<item>
		<title>Pesquisadores do Biota Síntese participam de podcast</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/pesquisadores-do-biota-sintese-participam-de-podcast/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Rezende]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Oct 2024 13:16:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[Publicado em 10 de outubro, o 180º episódio do podcast Oxigênio, iniciativa do Labjor Unicamp, teve como tema as Soluções Baseadas na Natureza. Em conversa com o diretor do Biota Síntese, Jean Paul Metzger, o programa explicou o que define essa prática, além de trazer as origens do conceito. Já os pesquisadores Gabriela Marques di [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado em 10 de outubro, o 180º episódio do podcast <em>Oxigênio</em>, iniciativa do Labjor Unicamp, teve como tema as Soluções Baseadas na Natureza. Em conversa com o diretor do <strong>Biota Síntese</strong>, Jean Paul Metzger, o programa explicou o que define essa prática, além de trazer as origens do conceito. Já os pesquisadores Gabriela Marques di Giulio, Luara Tourinho e Pedro Krainovic foram entrevistados para trazer exemplos de aplicações de SBNs no contexto das cidades, da agricultura e da restauração florestal, respectivamente. O episódio também teve a participação do vice-diretor do <strong>Biota Síntese</strong>, Rafael Chaves, explicando como as SBNs são elaboradas pelo poder público.</p>
<p>Produzido por Pedro A. Duarte, o episódio está disponível nos principais agregadores de áudio e no <a href="https://www.oxigenio.comciencia.br/180-solucoes-baseadas-na-natureza/">website do programa </a><a href="https://www.oxigenio.comciencia.br/180-solucoes-baseadas-na-natureza/"><em>Oxigênio</em></a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisador do Biota Síntese publica artigos de divulgação científica</title>
		<link>https://biotasintese.iea.usp.br/pesquisador-do-biota-sintese-publica-artigos-de-divulgacao-cientifica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Rezende]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Jun 2024 11:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
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					<description><![CDATA[Eduardo Freitas Moreira, pós-doutorando do Biota Síntese no desafio Agricultura e Serviços Ecossistêmicos, publicou durante o mês de junho dois artigos de divulgação científica no portal do jornal Correio, periódico que circula no estado da Bahia. Os textos divulgam os resultados de estudos produzidos no âmbito do Biota Síntese. O texto “Como a paisagem urbana [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eduardo Freitas Moreira, pós-doutorando do Biota Síntese no desafio Agricultura e Serviços Ecossistêmicos, publicou durante o mês de junho dois artigos de divulgação científica no portal do jornal Correio, periódico que circula no estado da Bahia. Os textos divulgam os resultados de estudos produzidos no âmbito do Biota Síntese.</p>
<p>O texto “<a href="https://www.correio24horas.com.br/colunistas/artigo/como-a-paisagem-urbana-afeta-as-abelhas-sem-ferrao-0624">Como a paisagem urbana afeta as abelhas sem ferrão</a>” aborda o estudo Como variações nas paisagens afetam a dinâmica de colônias de abelhas sem ferrão, publicado no livro <a href="https://abelha.org.br/formulario-e-book-a-ciencia-das-abelhas/">A Ciência das Abelhas</a> (Associação Brasileira de Estudos das Abelhas, 2024). Esta pesquisa verificou que a falta de vegetação nativa em áreas urbanas, assim como o clima no ambiente urbano, é prejudicial às abelhas nativas sem ferrão.</p>
<p>Já o texto “<a href="https://www.correio24horas.com.br/colunistas/artigo/condicoes-extremas-sao-favoraveis-a-biodiversidade-de-aquiferos-0624">Condições extremas são favoráveis à biodiversidade de aquíferos</a>” aborda o estudo Ecological landscape explains aquifers microbial structure (trad.: A paisagem ecológica explica a estrutura microbial dos aquíferos) é abordado. Nele, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a microbiota em aquíferos sob condições extremas é mais diversa e apresenta mais do que o dobro de funções metabólicas do que a microbiota de aquíferos porosos comuns. Os resultados do estudo também mostram que os principais preditores da estrutura microbiana incluem tanto as condições ecológicas dos diferentes tipos de aquíferos, assim como o nível de contaminação por rejeitos da agricultura, indústria e mineração. </p>
<p><strong>Leia os artigos publicados a seguir:</strong><br />
<a href="https://www.correio24horas.com.br/colunistas/artigo/como-a-paisagem-urbana-afeta-as-abelhas-sem-ferrao-0624">Como a paisagem urbana afeta as abelhas sem ferrão</a><br />
<a href="https://www.correio24horas.com.br/colunistas/artigo/condicoes-extremas-sao-favoraveis-a-biodiversidade-de-aquiferos-0624">Condições extremas são favoráveis à biodiversidade de aquíferos</a></p>
<p><strong>por Pedro Duarte</strong><br />
<em>Formado em Jornalismo pela FAAP, está cursando a pós-graduação em Jornalismo Científico pelo Labjor Unicamp. Faz estágio no Biota Síntese por meio da bolsa Mídia Ciência de Jornalismo Científico concedida pela FAPESP.</em></p>
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