{"id":1502,"date":"2024-11-18T11:19:30","date_gmt":"2024-11-18T14:19:30","guid":{"rendered":"http:\/\/biotasintese.iea.usp.br\/?p=1502"},"modified":"2024-11-18T11:19:30","modified_gmt":"2024-11-18T14:19:30","slug":"sao-paulo-debate-estrategias-para-promover-a-resiliencia-climatica-no-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/biotasintese.iea.usp.br\/pt\/sao-paulo-debate-estrategias-para-promover-a-resiliencia-climatica-no-estado\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo debate estrat\u00e9gias para promover a resili\u00eancia clim\u00e1tica no Estado"},"content":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP* \u2013Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Plano Estadual de Adapta\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia Clim\u00e1tica (PEARC) de S\u00e3o Paulo foi apresentado para a comunidade cient\u00edfica na \u00faltima ter\u00e7a-feira (12\/11). O evento, organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP, teve o intuito de discutir, sobretudo, as a\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade no novo plano.<\/p>\n<p>Coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Log\u00edstica (Semil), o plano est\u00e1 sob consulta p\u00fablica at\u00e9 20 de dezembro. O objetivo \u00e9 coletar contribui\u00e7\u00f5es da sociedade para a defini\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es a serem realizadas nos pr\u00f3ximos dez anos.<\/p>\n<p>&#8220;Temos tentado elaborar a estrat\u00e9gia clim\u00e1tica do Estado de S\u00e3o Paulo em dois eixos: um de mitiga\u00e7\u00e3o [com o Plano de A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica, de 2022] e, agora, outro para adapta\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia clim\u00e1tica. Dentro deste \u00faltimo, lan\u00e7amos a consulta p\u00fablica do PEARC, pois queremos estabelecer um processo centrado na escuta ativa. Estamos na FAPESP para apresentar o plano \u00e0 comunidade acad\u00eamica e abrir o di\u00e1logo para entender, aprimorar e monitorar as 49 a\u00e7\u00f5es e 126 suba\u00e7\u00f5es de uma forma organizada e com governan\u00e7a&#8221;, afirmou Nat\u00e1lia Resende, secret\u00e1ria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Log\u00edstica do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que o plano seja um instrumento que organiza e orienta as medidas e a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Estado de S\u00e3o Paulo, a fim de contribuir para a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a clim\u00e1tica e a implementa\u00e7\u00e3o de infraestruturas mais resilientes e menos impactantes para o enfrentamento de desafios atuais e futuros.<\/p>\n<p>Resende explicou que, para produzir o documento, as equipes da secretaria e parceiros partiram da identifica\u00e7\u00e3o das principais amea\u00e7as clim\u00e1ticas e dos problemas causados por elas para propor a\u00e7\u00f5es e suba\u00e7\u00f5es que buscam melhorar a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia clim\u00e1tica no Estado.<\/p>\n<p>\u201cAcho essencial reafirmar o apoio da FAPESP para a implanta\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o desse plano organizado pela Semil. Esse tipo de iniciativa tem de ser coordenado pelo Estado, pois implica um amplo leque de a\u00e7\u00f5es envolvendo todos os setores da sociedade: governo estadual, governos municipais, universidades, institutos de pesquisa, ag\u00eancias, empresas. Mas a participa\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica \u00e9 central, sobretudo pela sua capacidade de gerar solu\u00e7\u00f5es inovadoras por meio da pesquisa cient\u00edfica que necessariamente deve envolver a coopera\u00e7\u00e3o de empresas e entidades da sociedade civil\u201d, afirmou o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago.<\/p>\n<p>Entre os principais problemas e riscos identificados durante a elabora\u00e7\u00e3o do plano est\u00e3o os efeitos da eleva\u00e7\u00e3o da temperatura do ar e do oceano, da altera\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia, dura\u00e7\u00e3o e intensidade das chuvas, das ressacas, das estiagens e secas intensas, das ondas de calor e dos ventos intensos.<\/p>\n<p>Com isso, o plano foi estruturado em quatro eixos tem\u00e1ticos (sa\u00fade \u00fanica, biodiversidade, seguran\u00e7a h\u00eddrica e seguran\u00e7a alimentar nutricional) e um eixo geogr\u00e1fico (zona costeira). &#8220;Al\u00e9m disso, o plano \u00e9 composto por um eixo transversal \u2013 justi\u00e7a clim\u00e1tica \u2013 e um eixo estruturante, focado na infraestrutura&#8221;, explicou Cristina Azevedo, da Coordenadoria de Planejamento Ambiental da Semil.<\/p>\n<p>\u201cAs medidas de adapta\u00e7\u00e3o t\u00eam de evitar a m\u00e1 adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Ou seja, uma medida de adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode refor\u00e7ar, por exemplo, uma injusti\u00e7a hist\u00f3rica ambiental. Da mesma forma, infraestruturas mais resilientes t\u00eam de aguentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas n\u00e3o podem impactar ainda mais a natureza. A ideia, portanto, \u00e9 ter no plano medidas incrementais e transformacionais que levem a um Estado mais resiliente e leve a uma justi\u00e7a ambiental para todos&#8221;, comentou Azevedo.<\/p>\n<p><strong>Biodiversidade \u00e9 chave<\/strong><\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do PEARC foi tamb\u00e9m uma oportunidade para que cientistas que integram o Programa BIOTA-FAPESP \u2013 um dos mais longevos da Funda\u00e7\u00e3o e que h\u00e1 mais de 20 anos influencia a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas sobre biodiversidade \u2013 pudessem fazer coment\u00e1rios e contribuir com questionamentos sobre a estrutura do plano e as a\u00e7\u00f5es planejadas.<\/p>\n<p>&#8220;O clima j\u00e1 mudou. Secas, queimadas, inunda\u00e7\u00f5es e ondas de calor est\u00e3o entre os ind\u00edcios dessas mudan\u00e7as, que sentimos na pele com perdas de vidas e de infraestrutura. As a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o suficientes para deixar o planeta em uma zona de conforto [com aumento da temperatura limitado a 1,5\u00b0C em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 era pr\u00e9-industrial]. Ou seja, s\u00f3 mitiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta, temos de nos adaptar \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, disse Jean Paul Metzger, membro do comit\u00ea cient\u00edfico do BIOTA-FAPESP.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1503\" aria-describedby=\"caption-attachment-1503\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1503 size-medium\" src=\"http:\/\/biotasintese.iea.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/biota-cred-danielantonio-cristina-metzger-gabriela-jonatas-1-de-1-300x176.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"176\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1503\" class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita: Cristina Azevedo, Jean Paul Metzger, Gabriela Di Giulio e J\u00f4natas Souza da Trindade (foto: Daniel Ant\u00f4nio\/Ag\u00eancia FAPESP)<\/figcaption><\/figure>\n<p>No entanto, de acordo com Metzger, a n\u00e3o inclus\u00e3o da biodiversidade e das solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza como um eixo transversal, que perpassa por todos os outros, \u00e9 uma inconsist\u00eancia do PEARC.<\/p>\n<p>\u201cSistemas mais biodiversos s\u00e3o mais resilientes e, quando se pensa em resili\u00eancia de sistemas socioecol\u00f3gicos, certamente a sociobiodiversidade \u00e9 central. Portanto, ao mesmo tempo em que a biodiversidade \u00e9 impactada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ela serve como um elemento b\u00e1sico de resili\u00eancia e de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica\u201d, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a biodiversidade n\u00e3o esteja como um eixo transversal do PEARC, ao olhar as a\u00e7\u00f5es e suba\u00e7\u00f5es elencadas no plano \u00e9 poss\u00edvel notar que ela \u00e9 central\u201d, completou.<\/p>\n<p>Metzger tamb\u00e9m falou sobre a import\u00e2ncia de compatibilizar as agendas do clima, olhando financiamentos que sinergicamente beneficiem clima e biodiversidade. \u201cIsso \u00e9 crucial para que de fato haja um plano de adapta\u00e7\u00e3o que se alie e converse com o Plano de A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica [focado em mitiga\u00e7\u00e3o] e com os nossos planejamentos de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/p>\n<p>Metzger tamb\u00e9m \u00e9 pesquisador respons\u00e1vel do N\u00facleo de An\u00e1lise e S\u00edntese de Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza (BIOTA S\u00edntese). O projeto, financiado pela FAPESP, visa apoiar o Estado de S\u00e3o Paulo no desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas socioambientais relacionadas \u00e0 sustentabilidade agr\u00edcola, restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, controle de zoonoses e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as em \u00e1reas urbanas, considerando solu\u00e7\u00f5es essencialmente baseadas na natureza.<\/p>\n<p>Gabriela Di Giulio, pesquisadora do BIOTA S\u00edntese, destacou a import\u00e2ncia de o foco do PEARC ser na justi\u00e7a clim\u00e1tica. \u201c\u00c9 preciso entender que a justi\u00e7a \u00e9 permeada ou influenciada por comportamentos individuais, por intera\u00e7\u00f5es sociais, mas sobretudo por cen\u00e1rios institucionais. O fil\u00f3sofo Amartya Sen afirma que a justi\u00e7a est\u00e1 interligada com a realiza\u00e7\u00e3o social e que ela depende diretamente da qualidade das institui\u00e7\u00f5es e das consequ\u00eancias que essas institui\u00e7\u00f5es geram\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Dessa forma, Di Giulio, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do comit\u00ea cient\u00edfico do BIOTA-FAPESP, defendeu ser fundamental olhar para as 49 a\u00e7\u00f5es e 216 suba\u00e7\u00f5es do PEARC, n\u00e3o s\u00f3 no que diz respeito a qu\u00e3o significativas elas s\u00e3o dentro de sua constitui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao efeito dessas a\u00e7\u00f5es na vida das pessoas \u2013 principalmente as mais vulner\u00e1veis e que historicamente sofrem mais com a carga clim\u00e1tica e ambiental.<\/p>\n<p>\u201cAs institui\u00e7\u00f5es, a pol\u00edtica e as a\u00e7\u00f5es t\u00eam efeitos important\u00edssimos na vida dessas pessoas, podendo minimizar ou agravar os danos e perdas, bem como o sofrimento social&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Da plateia vieram questionamentos interessantes. Eliseth Le\u00e3o, do Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, lembrou da necessidade de incluir sa\u00fade mental no plano. \u201cQuando se fala em sa\u00fade \u00fanica a gente tem um vi\u00e9s muito grande de pensar em doen\u00e7a \u2013 nas arboviroses e nas zoonoses \u2013 e isso n\u00e3o cobre tudo o que precisa. Ent\u00e3o fica a provoca\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o vi contempladas no PEARC a quest\u00e3o da ansiedade clim\u00e1tica e nem a da sa\u00fade mental. Como podemos incluir os dois temas nesse debate, pois \u00e9 algo que eu tenho observado no hospital o tempo todo?&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>O debate pode ser assistido na \u00edntegra em: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sNdK32al-NQ\">www.youtube.com\/watch?v=sNdK32al-NQ<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP* \u2013Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Plano Estadual de Adapta\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia Clim\u00e1tica (PEARC) de S\u00e3o Paulo foi apresentado para a comunidade cient\u00edfica na \u00faltima ter\u00e7a-feira (12\/11). O evento, organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP, teve o intuito de discutir, sobretudo, as a\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade no novo plano. 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